domingo, 21 de fevereiro de 2010

E no 7º Dia...



Imagine o que é acordar todos os dias no mesmo quarto, preso a uma cadeira, em frente a uma janela aberta. Da janela vê o que se passa.
Vê uma estrada, uns caixotes do lixo à sua direita, umas casas em frente com outras pessoas presas a cadeiras em frente a outras janelas. Você fala com elas, grita por entre o barulho dos carros que passam a correr mesmo em frente à janela, pergunta-lhes quem são, o que fazem ali, mas nunca obtém resposta. Consegue ver que essas pessoas lhe falam também, mas nunca consegue ouvir o que lhe dizem.
De vez em quando veêm trazer comida e água, é a hora em que tudo muda. Alguém olha para si, reconhece que está ali. Você tenta falar com essa pessoa, tenta dizer-lhe o quanto gostaria que essa pessoa ficasse ali e conversasse um pouco consigo, mas ela não o entende e vai sempre embora passados uns minutos.
O pôr-do-sol anuncia a chegada da noite e as gotas da chuva começam a cair. O sol fraco que radiava a cadeira esconde-se e você tem frio. Mas não tem como se refugiar, nem como fugir. Encolhe-se na cadeira e dormita durante a noite, esperando mais um dia que segue, repleto do mesmo.

Não coloque o seu cão em correntes. Dê-lhe o direito à liberdade, dê-lhe o direito à vida.

27 de Janeiro de 2010 - 11:30

26 de Janeiro de 2010 - 15:00